DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO ESCOLAR: UMA REVISÃO HISTÓRICA DAS CONCEPÇÕES DE DEFICIÊNCIA E DAS POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL
Resumo
A história da Educação Especial no Brasil está relacionada às transformações nas concepções de deficiência, nas responsabilidades atribuídas ao Estado e nas formas de organização da escolarização das pessoas com deficiência. Durante diferentes períodos, o atendimento educacional foi desenvolvido em instituições especializadas, classes especiais e serviços organizados a partir de critérios que frequentemente diferenciavam os estudantes conforme suas características individuais. A ampliação dos debates sobre direitos humanos, democratização da educação e participação social contribuiu para modificar essas concepções, favorecendo a construção de políticas orientadas pela inclusão escolar. O presente estudo tem como objetivo compreender as transformações históricas das concepções de deficiência e das políticas de Educação Especial no Brasil, considerando a passagem de modelos segregadores à perspectiva da inclusão escolar. Trata-se de uma revisão bibliográfica qualitativa, de caráter histórico-interpretativo, fundamentada em produções acadêmicas sobre História da Educação, instituições educativas, deficiência e políticas educacionais, articuladas à análise contextual de marcos normativos brasileiros. A discussão examina a constituição do atendimento especializado, a influência das concepções médico-assistenciais, a organização das propostas de integração escolar e o reconhecimento da educação inclusiva como direito. A análise evidencia que as mudanças nas políticas educacionais modificaram as responsabilidades institucionais e ampliaram o reconhecimento do direito à escolarização, mas não eliminaram imediatamente práticas seletivas, barreiras à participação e desigualdades historicamente construídas. Compreender esse percurso permite reconhecer a inclusão escolar como um processo político, educacional e institucional, cuja efetivação depende da transformação das condições de ensino e das concepções que orientam as práticas escolares.
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